Gastronomia · 8 min de leitura

O que comer em Buenos Aires: parrillas, cafés, pizza e alfajor sem gastar mal

Buenos Aires é uma das cidades que mais recompensa quem gosta de comer. E a boa notícia pro seu bolso: comer bem aqui não é sinônimo de gastar muito. Neste capítulo a gente vai direto ao ponto: onde comer a melhor carne, como pedir sem passar vergonha, quais cafés históricos valem a visita, onde achar a pizza que os portenhos amam e os doces que você tem que provar.

Antes de tudo, guarde uma regra de ouro do ritmo argentino: aqui a galera janta tarde. Restaurante de verdade só enche depois das 21h, e muita cozinha nem abre antes disso. Se você chegar às 20h, vai encontrar salão vazio, mas também vai comer sem fila. Escolha o seu estilo.

Parrilla: o churrasco argentino que você veio provar

Parrilla é o churrasco argentino, e é praticamente obrigatório. A carne aqui é macia, bem passada na brasa e servida sem frescura. Três casas resolvem bem a sua vida, cada uma com um perfil:

ParrillaBairroPor que ir
Don JulioPalermoUma das melhores do mundo em rankings de gastronomia. Bife de chorizo e ojo de bife impecáveis. Reserve com bastante antecedência (semanas), senão fica na fila.
La CabreraPalermoPorções gigantes que já vêm com um monte de acompanhamentos de graça. Tem happy hour das 19h às 20h com desconto — chegue nesse horário e pague menos.
La BrigadaSan TelmoTradicional e cheia de história. Famosa pelo matambre e por cortar a carne com a colher de tão macia.

Os cortes: bife de chorizo, ojo de bife e como pedir o ponto

Não precisa decorar o cardápio inteiro. Dois cortes resolvem: o bife de chorizo é um contrafilé grosso e suculento, o corte mais pedido e o mais seguro pra quem chega. O ojo de bife é o miolo do contrafilé, mais macio e marmorizado, com aquela gordurinha que derrete. Se estiver em dúvida, peça um de cada e divida.

Agora a parte que trava todo mundo: como pedir o ponto. Em Buenos Aires você pede em espanhol, e é simples:

  • Jugoso — mal passado, vermelho e suculento por dentro
  • A punto — no ponto, o meio-termo que a maioria pede
  • Cocido — bem passado, sem vermelho nenhum

Dica de amigo

A carne argentina brilha mais no jugoso ou a punto. Se você costuma pedir bem passado no Brasil, arrisque um a punto aqui — o corte é feito pra isso e você vai sentir a diferença.

Cafés históricos: parada obrigatória (com ou sem fome)

Os cafés notáveis de Buenos Aires são parte do passeio, não só um lugar pra comer. Vale entrar nem que seja pra um cortado (café com pouquíssimo leite — o pedido esperto pra quem quer o sabor do café sem afogar em leite). Três clássicos:

  • Café Tortoni — o mais famoso da cidade, na Avenida de Mayo, com salão do fim do século 19 e clima de tango
  • La Biela — na Recoleta, ao lado do cemitério, ótimo pra sentar na esplanada e ver a cidade passar
  • Las Violetas — em Almagro, com vitrais e confeitaria de dar água na boca, perfeito pra um lanche da tarde

Pizza portenha: sim, eles têm a delas

A pizza de Buenos Aires é uma coisa à parte: massa alta, montanha de muçarela e servida em fatias generosas. Duas casas são referência e ficam no centro, fáceis de encaixar num dia de passeio:

  • Güerrin — na Avenida Corrientes, um ícone. Peça no balcão em pé, do jeito portenho, pra comer rápido e barato
  • El Cuartito — outro templo da pizza, tradicional, com paredes cobertas de fotos de esporte e história

Doces: alfajor e sorvete que você não vai esquecer

O alfajor é o doce símbolo da Argentina: dois biscoitos com recheio (quase sempre doce de leite) e cobertura de chocolate ou açúcar. Havanna é a marca famosa que você acha em todo lugar, ótima pra levar de lembrança. Cachafaz é o preferido de muito argentino, com um alfajor mais rústico e recheio caprichado.

E o sorvete argentino (helado) é sério: cremoso, tipo gelato italiano, com destaque absoluto pro sabor de doce de leite. Rapa Nui e Freddo são duas sorveterias que você encontra pela cidade e nunca decepcionam. Peça o dulce de leche granizado e me agradece depois.

Vinho: Malbec e Torrontés pra fechar a conta

Nenhuma refeição argentina fica completa sem vinho, e aqui ele é bom e acessível. O Malbec de Mendoza é o tinto rei do país — encorpado, redondo, perfeito com carne. Se você curte branco, peça um Torrontés, um branco aromático e fresco, típico da Argentina e difícil de achar tão bom em outro lugar.

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